sexta-feira, 28 de julho de 2017

Segredos e paixões- Capítulo 1: amor proibido

Segredos e paixões- Capítulo 1: amor proibido






Era uma tarde do dia 3 de janeiro. Um rapaz estava deitado sobre a cama dentro de um apartamento. Eram 18 horas. Ele observava uma fotografia que estava em suas mãos. Nesse instante, uma jovem saiu do banheiro. Ela usava um roupão de banho e os cabelos dela estavam molhados de água. A moça percebeu que ele fitava uma foto e perguntou:
— Adônis, que espécie de foto é essa?
— Não me atormente, Monique.
Ela sorriu e disse:
— Aposto que é foto de mulher nua. Deixe-me ver.
Nesse momento, ela se jogou em cima dele e tentou puxar a fotografia da mão de Adônis. Ele tentava esconder a foto debaixo dos lençóis. Ela fez cócegas nas axilas dele até que Adônis largou a fotografia na cama. Monique pegou a foto e a olhou. A moça observou o rosto de uma bela jovem de cabelos ruivos. A garota da fotografia aparece sentada no banco de uma praça. Adônis tomou a foto da mão de Monique e disse:
— Você não deveria ter feito isso.
— Adônis, quem é essa moça que está na foto?
— O nome dela é Olga. Ela é minha meia-irmã.
— Ela é parecida fisicamente com você. Os olhos dela são verdes como os teus.
— Olga e eu somos filhos do mesmo pai, mas temos mães diferentes. Na verdade, eu a conheci só depois que completei 9 anos.
— Eu percebi que você estava olhando de maneira diferente para essa fotografia.
— Eu estou apaixonado por Olga há muito tempo, mas ela não sabe disso. Eu reprimo o que sinto por ela há anos. Eu vivo o tormento de amar uma garota proibida para mim.
Monique ficou horrorizada e falou:
— O que? Mas como você pode se sentir atraído por ela? A moça é tua irmã.
— Ela é minha meia-irmã — corrigiu ele.
— Ok.
— Eu me senti estranho quando percebi que eu estava apaixonado por ela, mas eu não consegui parar de desejá-la. Eu não pude evitar. Aliás, eu jamais a vi como minha irmã, pois eu fui criado longe dela durante uma boa parte da minha infância.
— Desde quando você é apaixonado por Olga?
— Desde os primeiros anos de convivência com ela. No início, eu notei que sentia algo diferente por Olga. Mas quando eu tinha 11 anos, entendi que eu a desejava como se ela fosse minha namorada.
— Por que você passou a morar com Olga e seu pai?
— Minha mãe, Lavínia, deixou-me na casa do meu pai naquele tempo, pois ela precisava cursar doutorado nos Estados Unidos. Eu ficaria na residência dele durante três anos. No fim desse tempo, minha mãe retornaria para me buscar. Mas dois anos depois, eu telefonei para Lavínia e lhe pedi para que ela me deixasse permanecer na casa do meu pai por tempo indeterminado. Então, minha mãe permitiu que eu morasse com meu pai e Olga permanentemente. Acho que Lavínia ficou feliz em se livrar de mim, tanto é que minha querida mãe nunca mais voltou para me visitar durante esses anos.
— Adônis, você tem 19 anos de idade, é inteligente e é um dos rapazes mais lindos que já vi em toda minha vida. Você pode ter moças até mais bonitas do que Olga. Eu não entendo o porquê de você perder teu tempo amando uma mulher que não pode ser tua. O desejo que você sente por ela é como o fruto proibido do jardim do Éden.
— Mas eu a quero mais do que as outras. Aliás, eu desejo me casar com Olga e ter filhos com ela. Essa garota me faz ter vontade de acordar todos os dias. Sem ela, eu não suportaria viver nesse mundo miserável. Se Olga não tivesse entrado na minha vida, eu teria me suicidado há muito tempo. Eu prefiro morrer a viver sem Olga.
— A moça da foto é ruiva assim como eu. Você me escolheu por eu ter traços físicos semelhantes aos de Olga?
Ele sorriu para Monique e falou:
— Sim. Aliás, eu imagino o rosto dela em todas as ruivas que eu encontro na rua.
O sorriso de Adônis se fechou nesse momento. O rapaz observou a fotografia de Olga mais uma vez e disse:
 — Eu temo que Olga se afaste de mim quando ela descobrir que eu a desejo, pois eu fui criado com ela. Eu sei que Olga tem preconceitos sobre isso. Ela nunca me aceitaria como amante ou namorado.
— Como você sabe que ela vai se afastar de você se souber disso?
— Há dois anos, Olga e eu estávamos assistindo a um filme no qual havia dois irmãos que se apaixonaram um pelo outro. Além disso, os dois eram do mesmo sexo. Esse filme gerou bastante polêmica na época do lançamento. Olga saiu da sala de cinema 15 minutos antes de acabar a exibição do filme. Eu a segui até o hall. Olga me disse que ela sentiu repulsa pelo filme e não queria mais vê-lo. Ela falou que o amor daqueles dois irmãos do filme era abominável e repugnante. Nesse momento, eu perguntei se ela sentiu aversão porque as duas personagens eram gays, mas ela me disse que ela sentiu nojo pelo fato de os dois serem irmãos de sangue e de ambos estarem apaixonados um pelo outro.
— Puxa!
— Naquele dia, eu soube que Olga sentiria repulsa por mim se ela descobrisse que eu a desejo. Olga sentiria nojo de mim. Eu não dizer nada para ela por enquanto. Assim que eu conseguir comprar uma casa no estado do Amazonas, eu pedirei transferência no quartel onde eu trabalho. Eu a levarei comigo para o Amazonas. Chegando lá, eu vou acorrentá-la em algum quarto até que ela se acostume em ser minha mulher. Infelizmente, estou com dificuldades de encontrar uma casa de campo que tenha um valor inferior a 300 mil reais no Amazonas. Olga será minha prisioneira.
— Se você sequestrá-la, teu pai pode investigar e ele descobrirá esse segredo. Certamente, ele foi mandar a polícia te procurar.
— Meu pai nunca vai desconfiar de mim se Olga nunca mais for vista por ele. Assim que eu levá-la para o Amazonas, eu vou escrever uma carta em nome dela onde vou dizer que ela foi embora com um namorado ou amante para outro país. Meu pai acreditará na mentira. Ele é idiota.
— Por que você se interessou por ela?
— Olga é doce, inocente e gentil. O que eu sinto por ela é a única parte boa que há em mim.
— Eu entendo.
— Peço que você não comente sobre isso a ninguém.
— Guardarei o teu segredo. Você pode confiar em mim.
— Meu pai tem um caso com uma mulher casada. Se ele fugisse com a amante para outra cidade, eu teria mais liberdade para me casar com Olga.
— Se Olga nunca te aceitar mesmo que você a leve para bem longe dessa cidade, o que você vai fazer?
— Eu vou matá-la se Olga não me quiser como amante. Em seguida, eu me suicidarei. Não há vida sem Olga.
— Adônis, você não precisa seguir esse caminho. Muitas escolhas são irreversíveis. Ainda não é tarde demais para voltar atrás. Não sonhe com o impossível, pois o despertar pode ser amargo.
— Você acredita em maldição, Monique?
— Sim.                           
— Eu tenho uma maldição que é desejar Olga.                                                                       
Nesse instante, o jovem olhou para seu relógio de pulso que marcava 18 horas e trinta minutos. Adônis se levantou da cama e pegou a jaqueta de couro que estava pendurada no cabide. Ele retirou 50 reais do bolso interno da jaqueta e deixou o dinheiro em cima do criado-mudo. Monique perguntou:
— Você já vai embora?
— Sim. É tempo de voltar para a casa do meu pai. Eu te verei novamente assim que eu puder.
Adônis vestiu a jaqueta e disse:
— Até logo, Monique.
— Até logo, Adônis.
Ele saiu do local nesse momento. A moça deu um aceno para o rapaz enquanto ele caminhava em direção ao elevador do prédio. Ela falou sussurrando: “Eu espero te ver de novo”. Havia uma melancolia no olhar da moça nesse momento. Monique fechou a porta do apartamento após a partida de Adônis.
A jovem começou a preparar o jantar. Enquanto isso, ela pensava no segredo de Adônis. Monique já havia conhecido homens de vários tipos. Alguns eram traficantes, outros trabalhavam como assassinos de aluguel, peões de construção civil e etc. Mas Monique percebeu que Adônis não era como os outros homens que ela conheceu. Adônis falava de maneira melancólica e depressiva com ela quando estavam juntos. Havia uma dor no semblante daquele jovem durante a maior parte do tempo.
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